A opinião de ...

Normalização

Mais à frente, nesta edição, o leitor poderá encontrar os testemunhos de algumas pioneiras, sobretudo na política.
O Mensageiro falou com todas as mulheres que foram, ou são, presidentes de Câmara no distrito de Bragança e ainda com a primeira mulher presidente de Câmara do distrito de Vila Real (Helena Lapa, de Sabrosa).
Qual é o problema? São poucas.
Com quase 52 anos passados desde o 25 de Abril, o distrito de Bragança teve, apenas, cinco mulheres a presidir os destinos de autarquias (de um total de 12 Câmaras).
E só ao fim de 35 anos houve uma mulher presidente de Câmara no distrito de Bragança pela primeira vez. Aconteceu em Alfândega da Fé, em 2009, com Berta Nunes, que viria, depois, a ser Secretária de Estado e Deputada.
Também Júlia Rodrigues, a primeira mulher a presidir à Câmara de Mirandela, foi deputada, cargo que voltou a ocupar após deixar a autarquia.
Caminho inverso fez a atual presidente da Câmara de Bragança, Isabel Ferreira. Começou na política como Secretária de Estado, foi depois deputada antes de ganhar as eleições autárquicas do ano passado e já depois de ter chegado ao topo da sua atividade profissional, como docente e investigadora. Portanto, conquistas antes da política, ao contrário do que costuma acontecer tantas vezes, em que o sucesso profissional só chega, curiosamente, depois da passagem pelos cargos políticos.
O que é preocupante nos tempos atuais é estes exemplos serem, ainda, raros e contarem-se pelos dedos.
Como também devia ser preocupante o facto de serem necessárias cotas para 'obrigar' a que sejam chamadas mulheres para cargos políticos.
A medida, criada para proteger as mulheres, acaba por ser, ela própria, uma discriminação.
Ao longo das várias entrevistas que o Mensageiro reproduz nas páginas mais à frente, estão apontadas algumas razões para isso acontecer mas também alguns caminhos para o futuro.
Desde logo, uma mudança de mentalidades e a criação de condições, enquanto sociedade, de se darem as mesmas oportunidades a homens e mulheres, muitas vezes penalizadas por assumirem, também, o papel de mães.
Uma reflexão que nunca é tarde para fazer, sobretudo na semana em que se assinala o Dia Internacional da Mulher.
A política deixou há muito de ser um clube exclusivo de homens de charuto, que se juntavam para beber uns copos ou irem dar umas espadeiradas uns nos outros como forma de passar o tempo.
A política é para todos. E, como tal, deve ser de todos, sem exceção.
Nem género.

Edição
4078

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