Daniel Vale - A ARQUITECTURA TRANSMONTANA A GOSTAR DELA PRÓPRIA

A arquitectura transmontana a gostar dela própria – Vernáculo

Aquilo que é próprio de um país a que pertence, ou que se expressa de modo rigoroso e sem incorrecções, diz-se ser vernáculo. Em latim, a expressão refere-se a escravo nascido na casa do amo, doméstico, de casa. Não podia, portanto, haver termo mais feliz para identificar a arquitectura a que me tenho referido - algo de casa, desprovido de estrangeirismos, que é nosso. Mas a identificação com o que é nosso, não passa apenas pelo uso de materiais locais e de técnicas tradicionais de construção.


A FORMA DA TERRA

Vergílio Taborda, no livro “Alto Trás-os-Montes – estudo geográfico” de 1932, a sua notável dissertação de doutoramento na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, ensina-nos que esta unidade histórica a que se convencionou chamar Trás-os-Montes, desde cedo ofereceu uma fisionomia peculiar que a distingue das outras regiões de Portugal.


COMUNIDADE

Desde a época de domínio romano, em que os vales foram progressivamente ocupados pelas populações que viviam nos castros e, mais tarde, com a fundação de paróquias, em lugares cujo termo se media pelo tempo que se demorava a lá chegar com os animais ou sem eles, que as nossas aldeias construíram uma paisagem única e foram, desde sempre, unidades de gestão do território muito eficientes. No entanto, a falta de economia associada a este território, na actualidade, significou o seu esvaziamento e, consequentemente, a escassez de gente implicada na sua gestão.


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