“Atrevem-se a dizer o que não diriam a um homem”
Isabel Ferreira foi eleita em 2025 presidente da Câmara de Bragança. É a primeira mulher a conseguir a eleição na história do concelho. Ao Mensageiro, revela sentir que, na política, as mulheres ainda são atacadas pela sua condição e não pelas ideias.
Se Berta Nunes foi a primeira mulher a ser eleita presidente de Câmara no Distrito de Bragança, Isabel Ferreira, foi a mais recente. Eleita em 2025, começou na política como Secretária de Estado, passou pela Assembleia da República como Deputada antes de chegar aos comandos da autarquia brigantina, a maior do distrito, pondo fim a uma hegemonia de 28 anos do PSD.
“É uma questão talvez comportamental, mas também não tenho dados científicos que o comprovem, mas talvez sinta que é preciso que Bragança se adapte a ter uma presidente mulher, porque ter uma presidente mulher também significa ter um determinado estilo de comunicação e, desse ponto de vista, sinto que pode ter a ver com o facto de eu ser mulher”, diz.
Depois de ter atingido o topo da carreira académica, Isabel Ferreira experimenta, agora, outros desafios. Mas nota que “algumas críticas, de um pequeno setor, aparecem muitas vezes ao estilo de comunicação. Eu não atribuo a questões mesmo de comunicação” que exerce. “Por exemplo, hoje qualquer autarca utiliza muito mais um vídeo do que uma fotografia, isto é uma tendência global, é um sinal de proximidade, transparência, mas talvez por uma pequena minoria que tenha alguma dificuldade em perceber que a presidente é uma mulher. Porque se calhar se eu fosse homem também ninguém reparava tanto que eu estava lá no vídeo, por exemplo”, frisa.
A autarca acredita que ainda é preciso operar-se uma “mudança de mentalidades no Nordeste Transmontano”.
(Artigo completo disponível para assinantes ou na edição impressa)
